Passei o ticket para poder entrar no submundo. As escadas que me levavam para o local de espera pela carruagem eram até poucas. Desci-as com pressa. No entanto até pareceu que a carruagem e o tempo estavam-me a tramar, pois ambos não esperaram!
Enquanto aguardava olhava para as pessoas.
Havia uma com mau aspecto. Barba mal feita, pele escura, mãos grossas e com cicratizes, cansada do trabalho e que já nem em pé se podia aguentar.
Mas ali num canto, escondia-se uma de cabelo loiro. Jovem, com boas roupas, mas cansada do trabalho e que também mal se aguentava em pé.
Outra e outro, outro e outra, por ali tinham todos em comum o facto de estarem cansados do trabalho e quererem ir para casa ou para onde gostassem mais de estar naquele momento. Mas como se não bastasse, ainda algo trabalhava neles a toda a força: O stress.
O local que eu pisava era no entanto uma sauna de stress. As pessoas ansiavam pelo bicho metálico que iria sair por um túnel escuro. Umas olhavam para o telemóvel, outros para o rélogio de pulso ou bolso, outros para o relógio do metro e outros não olhavam para nada porque já tinham adormecido.
Finalmente ele chegou.
Entrei no corpo do bicho e reparei que muitas presas lá haviam. Estavamos apertados e sem espaço para respirar.
Tinha soado o som que queria e sai pelas portas automaticas e corri imediatamente para apanhar a próxima criatura do submundo.
Foi nesse período de tempo que me aprecebi que estava a correr como muita gente ao meu lado. Uma das criaturas condenadas, que se situava à minha frente na escada rolante, bloqueo-me as fugas. Perdi a criatura.
Esperei e o tempo ria-se de mim, e quanto mais se ria mais o tempo passava, mas quanto mais o tempo passava mais me irritava.
Eu irritei-me ficar ali à espera por um incidente de uma criatura. Irritei-me também pelo o facto de me irritar. É irritante.
Como se fossem mandados pelo Diabo, aparecia sempre mais um.
Entrei naquele ser subterrâneo e continuei o meu caminho ao meu destino.
A meta estava a um pé de distância e a um passar de um ticket.
Passei-o e deixei de pertencer àquele mundo sufocante e vi-me num mundo preocupante.
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